Reflexões
A Fé deve ser “professada, ºcelebrada, vivida e rezada” (P.Fidei, 9)
26-10-2012 15:47O Ano da Fé proclamado pela Papa Bento XVI teve início no dia 11 de Outubro, cinquentenário da abertura do Concílio Ecuménico Vaticano II, e vigésimo aniversário da publicação do Catecismo da Igreja Católica e será encerrado no dia 24 de Novembro de 2013, na festividade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo. O grande objetivo da celebração do Ano da Fé é avivar a fé das comunidades cristãs e de cada cristão, em particular, para que, redescobertos e entendidos os compromissos do cristão, cada crente transmita em sua vida quotidiana uma mensagem de esperança e de amor, sendo fiel ao Evangelho de Jesus Cristo.
Para concretizar melhor esta abordagem da redescoberta e do aprofundamento da fé é conveniente e necessário saber acolher “o dom que nos foi concedido e agradecê-lo continuamente ao Senhor” (P.Fidei). É nesta consciência esclarecida que não se confunde com as rotinas e as indiferenças temporais que nos é permitido perceber o ambiente em que vivemos numa íntima relação com Deus, podendo assim descobrir a nossa profunda identidade humana e cristã, parafraseando St.º Agostinho: “criaste-me para Vós, ó Deus e o meu coração não descansa enquanto não repousa em Vós”.
Parecendo mais simples, mas não menos trabalhoso, avivar a fé exige muita meditação, muita reflexão, muita oração. Fazer silêncio. Questionar-se. Confrontar a vida no que ele tem de mais belo e também no que ela tem de mais frágil. Avaliar as ações que fazemos, os gestos que temos, os comportamentos que tomamos… Que faria Jesus no meu lugar? Que atitudes tomaria?
Este exame de consciência, que é também, simultaneamente, um bom exercício pedagógico, exige uma profunda auto critica pessoal, permitindo ao ser humano, nomeadamente, ao crente, um conhecimento global do seu percurso existencial. Consequentemente, convida-o, com inteira liberdade interior, a renovar ou a optar por outras escolhas que satisfaçam a sua realização humana e cristã.
Em tempos de tantas dificuldades e profundas transformações o Papa Bento XVI na mensagem para o Dia Mundial das Missões escrevia: “requer-se uma renovada adesão da fé pessoal e comunitária ao Evangelho de Jesus Cristo”. Para acentuar esta exigência tão insistente nos pastores da Igreja referimos agora as palavras proferidas pelo nosso bispo na homília da Eucaristia que encerrou a abertura do Ano da Fé na nossa Diocese. Depois de realçar a importância da comunidade no anúncio, na promoção e no crescimento da fé do cristão refere-se ao papel da família na construção da comunidade crente: “A família, Igreja doméstica, é a primeira comunidade chamada a viver e a anunciar o Evangelho, a transmitir a fé. É na família que os filhos, educados pela sensibilidade e piedade dos pais, aprendem a escutar e a interiorizar a Palavra de Deus, a responder-Lhe com generosidade, aprendem a importância da oração e da confiança incondicional no amor de Deus, tomam consciência da sua Fé, do seu Batismo, da sua pertença à Igreja, e da sua missão no mundo. É na família, primeira e natural comunidade ao serviço do homem e da sociedade que se educa para a vivência da fé…”.
O Ano da Fé tem razões de sobra para os cristãos não se isolarem nos esconderijos do nosso tempo, desculpando-se com a ignorância costumeira (não soube de nada). Uma coisa é não saber, outra coisa é não querer saber. E a segunda é mais plausível. A palavra de Bento XVI para este Ano da Fé é clara e oportuna, apontando-nos o caminho luminoso para contemplar a beleza incomparável que atrai os verdadeiros crentes. É seu desejo “que este Ano suscite, em cada crente, o anseio de confessar a fé plenamente e com renovada convicção, com confiança e esperança…” E mais adiante releva a importância do testemunho da vida do crente, afirmando: “O testemunho da vida dos crentes” deve crescer na sua credibilidade. Deve “descobrir novamente os conteúdos da fé professada, celebrada, vivida e rezada e refletir sobre o próprio acto com que se crê…” (P. Fidei, 9)
P.J.L.
“Uma lágrima…Um beijo… Uns sinos a tocar…”
26-10-2012 15:46Aconteceu ir a um casamento, aquela cerimónia, por vezes, cheia de fausto, de “glamour”, em que é notório o desfasamento da presença física do Sacerdote e da presença divina do Senhor.
No meio de tão pouca serenidade e interioridade, com tanta foto, sorrisos, beijinhos e abraços é nitidamente visível o enfado daquelas ultrapassadas e estafadas frases: “ prometo amar-te para sempre, em toda a nossa vida, na saúde e na doença, até que a morte nos separe…
Não contentes com isso, ainda juram receber e criar na Lei da Santa Madre Igreja, os filhos que dali advierem, etc, etc. Já está tudo sem pachorra, a pensar na comidinha, no convívio e no bar aberto pela noite adentro. Muitas vezes os casamentos são uma farsa, no virar da esquina ou na volta da exótica lua - de - mel, cada um já sofreu uma amnésia parcial ou total e desfaz o que jurou prometer, mas não chegou a cumprir.
Descartável, como as fraldas de bebé, usar e deitar fora…Quando, afinal, o casamento é um acto muito sério, não é uma peça de teatro, uma telenovela, nem uma brincadeira de carnaval.
À minha frente eu já vi muita gente jurar e trejurar, mas a palavra deixou de ter valor, o amor passou e, atrás de tempos, tempos vêm, partem para outra, tal como o nosso Adão, fazem-se de parvos e, na primeira oportunidade, lá vão atrás da maçã e atiram as culpas para o cônjuge…
Também acho muito mal a leveza com que o fazem, pois deveria constar do contracto a realização de uma nova cerimónia, em que nos fosse explicado o porquê da cessação do mesmo e nos fosse devolvido o valor do presente que nós oferecemos, a nossa generosa contribuição para a formação dum lar, que afinal não chegou a ser. Também aqui há oportunismo, falta de princípios honestos e tantas outras situações que todos conhecemos, mas não dizemos.
Bom, mas agora que já desabafei, sou levada a concluir que esta boda a que assisti foi diferente, foi o colmatar de muito amor, de muita alegria e esperança na construção duma nova família nos modelos tradicionais, tão tradicional que já é revolucionário ser tradicional, sem variantes light, nem atitudes de fusão, como a comida moderna que nos é servida em alguns restaurantes muito badalados. Recordo a propósito, a resposta sarcástica dum amigo que me dizia: “ não sei o que comi, tão pouco se o prato era Miró ou Picasso, mas a conta valia bem um original…”
Assim, dei por mim no meio dum casamento, em que todos tinham os olhos postos no “Jesus escondido”, pedindo uma especial protecção para o jovem casal. O Sacerdote foi ouvido com muita atenção, houve a serena alegria e a noção de responsabilidade de quem parte para o matrimónio, com a certeza de ser essa é a sua opção, para sempre. Ser esposa, mãe, marido e pai, são desafios para toda uma vida, não basta querer, há que ser em todos os momentos e situações, na esperança de que, nem a morte os separe, pois Deus não vai afastar na eternidade o que tão divinamente foi unido neste mundo.
Sob o efeito envolvedor dum coro que mais parecia celestial, com umas vozes etéreas, eu quedei-me emocionada a recordar aquela passagem da Ceia dos Cardeais, de Júlio Dantas:
“ (…) Como é diferente o amor em Portugal! (…) É um amor coração, é um amor sentimento. Uma lágrima… Um beijo… Uns sinos a tocar… Um parzinho que ajoelha e que se vai casar. Tão simples tudo! Amor que de rosas se enflora: em sendo triste canta, em sendo alegre chora! Um amor simplicidade, um amor delicadeza… Ai, como sabe amar a gente Portuguesa”.
Reconfortada com a cerimónia, com o afecto transbordante, a singeleza do acto, saí feliz e serena. Em comunhão de lágrimas com todos, dei por mim a lançar pétalas de rosa, a gritar efusivamente vivam o noivos e a pensar em como é diferente o amor em Portugal.
Maria Susana Mexia
A Dignidade Humana, o caminho da humanização
26-10-2012 15:46Sou enfermeira, e o meu dia-a-dia de trabalho é vivido entre competências técnico-científicas e humanas, que exigem diariamente uma forma de estar ética, que não pode ficar pela reflexão, mas que se traduz por decisões práticas e personalizadas. Existe por isso, uma necessidade contínua de ser competente quer a nível técnico como humano. No entanto, perante o evoluir da tecnologia e da organização dos serviços de saúde, cada vez mais, tornam-se um desafio saber cuidar com dignidade, ou seja, manter no exercício das minhas competências a dignidade inerente a todo o ser humano.
Esta problemática com que me deparo a nível profissional, levou a uma reflexão e pesquisa que me ultrapassa como profissional de saúde e que me estimula a procurar respostas nos campos da antropologia filosófica.
Analisando a etimologia, dignidade, vem do termo latim “dignus”, que significa respeitabilidade, prestígio, consideração, estima ou nobreza. No entanto, definir dignidade, não é assim simples mas complexo. Esta complexidade está por um lado ligada às diferentes perspectivas em que ela pode ser abordada (jurídica, filosófica, social…), mas também está estritamente ligada ao conceito de Homem (ser humano), porque é sobre esta entidade em estudo, que se abeira esta problemática. Como reforça Cleber Francisco Alves, quando afirma:
“Não se pode olvidar que a noção de Dignidade humana está visceralmente fundada numa autêntica compreensão do que é o homem, e a respeito do verdadeiro sentido de sua vida, sentido esse que não pode ser encontrado apenas numa perspectiva reduzida à sua dimensão material, econômica ou social, mas deve ser respondido também quanto à dimensão psíquica e espiritual, voltada para o transcendente, indissociável em sua natureza.”
Perante tamanha complexidade, vale a pena, analisar a evolução deste termo através dos marcos históricos que originou a estrutura do conceito actual de Dignidade Humana.
Na Grécia antiga a dignidade da pessoa estava associada à sua posição social, ou seja, existiam diferentes níveis de dignidade humana. Posteriormente, Cícero, na Roma antiga, lutou por um sentido mais igualitário da dignidade de todos os serem humanos, mas é com o pensamento cristão que este marco foi atingido, dando origem a uma profunda mudança de mentalidade.
A doutrina cristã, enraizada na mensagem de Jesus Cristo, é muito clara, reforçando o valor superior do Homem em relação a todas as outras realidades terrenas, não associado apenas a capacidade racional do Homem, mas por este ter sido “criado à imagem e semelhança de Deus”. Assim, nesta perspectiva: “Já não há diferença entre judeu e grego, entre escravo e livre, nem homem ou mulher. Pois todos sois um só em Deus.” (S. Paulo, carta aos Gálatas).
“Nos séculos XVII e XVIII, quando predominava o pensamento jusnaturalista, a dignidade era vista como direito natural a partir da premissa da igualdade de todos os homens em dignidade e liberdade. A concepção Kantiana, vinculada a uma compreensão da dignidade como qualidade insubstituível da pessoa humana é a mais expressiva deste período. Kant traça uma distinção nítida entre as coisas no mundo que têm preço e as que, em contraposição, têm dignidade e estão acima de qualquer preço e sem possibilidade de substituição.
Todavia foi após a 2ª guerra mundial que se assumiu a nível constitucional este valor inerente à condição humana. Sendo formalmente criada, em 1948 pela ONU, a Declaração Universal dos Direitos humanos.
A nossa dignidade é inerente à nossa condição, enquanto ser humano – enquanto entidade potencial para usar capacidade elevadas, como a afectividade, a inteligência, e a liberdade. Esta potencialidade não é anulada, quando não está efectivada. Ou seja, todo Ser Humano nasce com essa propensão e a efectivação está dependente da conjuntura. Não é na efectivação que se reconhece ao Ser Humano a condição de Dignidade, mas na potencialidade de efectivação. Logo, todo o ser humano é portador de dignidade, apenas pelo simples facto de ser humano.
Em jeito de conclusão poderemos dizer, que a dignidade humana é um valor que deve ser protegido, ensinado e promovido… Porque ele traduz o valor incalculável de cada vida humana, e por isso, torna-se um pilar imprescindível toda e qualquer reflexão ética. Posso por isso dizer, que cuidados humanizados, são necessariamente cuidados mergulhados no conceito da dignidade humana.
Transferindo todo esta reflexão para a minha prática profissional, e tendo consciência da necessidade de encontrar novas respostas ao sofrimento humano, resta-me sublinhar o que salienta o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (1999):
“A partir da experiência clínica, uma das conclusões que se podem colher é a importância da descoberta da dignidade através da relação com o outro que se encontra em sofrimento: a dignidade de quem sofre e a dignidade que ressalta naqueles que lidam de perto com quem sofre. Deste modo, “a busca, a procura dos sentidos da dignidade e das formas da sua violação - e o impacto no bem-estar físico, mental e social - pode ajudar a descobrir um novo universo do sofrimento humano”
Rita Cardão
Creio na SANTA IGREJA CATÓLICA (II)
26-10-2012 15:45YOUCAT no nosso Jornal
Amar a Igreja e servi-La, como os primeiros cristãos, é síntese da nova evangelização que o mundo e a própria IGREJA tanto precisam.
Como é que se ama e estima o que ao longo dos tempos temos deformado? Foi esta a questão que deixei em aberto, no número anterior desta rubrica. Hoje, apenas darei espaço ao leitor para sua própria reflexão e resposta.
Há uns bons anos atrás, num Domingo, estando de visita a amigos, que não tinham preocupação de guardar o Dia do Senhor, fiz questão de dizer que ia à Santa Missa. Então todos resolveram ir. A Igreja era perto, o dia estava bonito, era um passeio a pé! Domingo do Bom Pastor, as leituras e homilia versavam os textos bíblicos onde Jesus se compara à porta do redil e ao pastor, sendo nós as ovelhas do Seu rebanho (Jo 10). À saída o mais velho do grupo, fez parar os restantes e disse muito convencido: “Estão a ver porque é que eu não venho à Missa? Então eu sou algum carneiro”?
Nos tempos de hoje, aqui bem na nossa terra, de pessoas maduras, que vão à Santa Missa, ouvimos: “Eu vou lá, mas não me diz nada, oiço sempre as mesmas histórias!”.
Outra pessoa, bem idosa, à minha saudação matinal disse: “Lá vai para a Missa?” É verdade! Respondi. Ficou resmungando em tom mais baixo: “Quem muito reza de alguma coisa tem medo…”
Ao convite para participar numa formação, alguém afirmou: “O que eu sei chega. Quanto mais aprendo mais responsabilidade tenho. Não preciso saber mais.”
E a quem, com a mulher e os filhos, sempre foi católico praticante, ouvi: “Eu não acredito que as palavras da Consagração, proferidas pelo Sacerdote, transformem o pão e o vinho no Corpo e no Sangue de Jesus”.
A muitos daqueles com quem convivemos, todos nós já escutámos: “Acredito em Deus, mas à Igreja não vou… porque os Padres… porque os que lá vão são os piores… eu cá tenho a minha fé”...
E nós que assinamos e lemos o Jornal da nossa Terra, que conhecimento temos desta “Mãe de idade muito avançada, com muitas rugas”, mas que gerou e gera em nós a Vida de Deus, pela Graça dos Sacramentos, da Palavra e da Oração?
Nem todos temos oportunidade ou possibilidade de frequentar cursos, formações, fazer boas leituras, estudar a sério o Catecismo da Igreja Católica… Mas todos, se quisermos, temos possibilidade de rezar, ler a Bíblia, estar a sós com Deus… Falar com Ele, como se Ele estivesse ali ao nosso lado, em casa ou em qualquer sítio. Fazer o que fez aquele recluso, que nunca tinha ido à Igreja, muito menos à catequese, mas que enquanto estava na cela lia a Bíblia que as senhoras visitadoras, voluntárias, lhe ofereceram. Leu-a toda, três vezes seguidas! Ao fim desse longo tempo, ele já não era mais o criminoso perigoso mas, totalmente convertido, o cristão autêntico que ama a Igreja, porque descobriu o Tesouro que Ela detém.
No próximo número tentaremos abrir este Tesouro.
Por: Maria Albertina Castanheira
Fazemos aquilo que mais gostamos
30-07-2012 11:37Após meses muito ocupados com aulas, catequese, trabalhos de casa e outras atividades; após meses de intensas atividades comunitárias, sociais… as quais tivemos a imensa satisfação de divulgar através do nosso jornal “O Concelho de Proença-a-Nova” é natural o cansaço e o desejado descanso. Deus descansou no sétimo dia após trabalhar incessantemente pela criação do mundo (Gn 2, 1-4). Assim também nós, filhos de Deus, temos a induvidável necessidade e direito de repousarmos o nosso corpo para refazermos as nossas forças e cultivarmos as relações e as amizades numa dimensão maior; para despertarmos para uma maior criatividade na nossa área de ação. Aliás no passado domingo 22 de julho, Jesus, compadecido pela exaustão dos seus Apóstolos, disse-lhes: “Vamos sozinhos para um lugar deserto, para que descanseis um pouco”. “Então foram sozinhos, de barca, para um lugar deserto afastado” (Mc 6,31-32) Tiramos férias do nosso trabalho, da universidade, da escola, dos trabalhos pastorais, não porque é moda ou luxo mas precisamente para respeitarmos a nossa natureza humana que exige tempos de relaxe, de recuperação, não apenas física mas também intelectual e espiritual.
Habitualmente nas férias, deixamos de ser “escravos” de determinados horários, hábitos ou compromissos e fazemos aquilo que mais gostamos. O gosto pela nossa família e o amor à nossa igreja e a Deus são realmente dons maravilhosos. Daí os pais, os guias das famílias, não descuram nunca as férias como tempo peculiar para intensificar o diálogo entre si e com os filhos; para intercambiar mais informação e reforçar a confiança entre todos; para incrementar momentos de festa e de convívio; para serem verdadeiramente mais companheiros dos filhos e aproveitar o tempo de descontração (sem Internet, televisão, leitor de cd e dvd, sem barulhos de toda a espécie…) para alertá-los para os perigos que os espreitam ao virar da esquina e as grandes oportunidades que a vida traz. Daí, os cristãos levam o Evangelho na bagagem: o vademecum do homem viator e companhia reconfortante em momentos de sossego na montanha, na serenidade de uma praia, no deslumbramento de um pôr do sol ou na varanda do hotel. Para além de ler um bom livro, contemplar as bonitas paisagens que espelham a grandeza do criador, meditar a Palavra de Deus (o Evangelho = Boa Notícia), fonte de paz e de alegria. Este tempo também sugere a incrementação do hábito do desporto. Muitos ainda não têm o hábito de praticar exercício físico conforme a sua natureza física. Pois o exercício físico aumenta as defesas do organismo aos ataques das bactérias e dos vírus. Reduz o mau colesterol e o risco de enfarte. E faz sempre bem à alma, sobretudo quando se pode praticar ao ar livre e circulando por caminhos com paisagens magníficas como verificamos aqui nas terras de Proença.
Na primeira quinzena de agosto, como é habitual, não publicamos o nosso jornal, mas seguiremos atentos para trazer-vos, na segunda quinzena, tudo de mais importante sobre o que se passa nas nossas paróquias. Na certeza de que com o auxílio do Evangelho e… encontraremos formas de cortar com o dia desgastante e carregar baterias para uma nova caminhada. Boas férias!
Pe. Ilídio Graça
Um super-herói para os mais pequenos, um Deus para os graúdos”
30-07-2012 11:36Quem mantém contacto regular com crianças consegue observar uma grande capacidade de imaginar por parte destas. Criar mundos fantásticos, autênticos filmes com vilões e super-heróis, princesas presas em masmorras e dragões que cospem fogo pelo nariz. É certo que estas crianças ao demonstrarem este tipo de atitudes induzem, para muitos, a uma falta de afeto por parte dos pais, a problemas de adaptação a certos ambientes ou ainda a perturbações mentais genéticas ou adquiridas por traumas. Mas, não será bom para elas exercitarem a sua mente?Acreditarem em algo para além do “palpável”, possuírem o seu próprio ídolo/herói? Obviamente que não é saudável uma criança isolar-se do mundo e apenas viver no imaginário, não só porque começa a perder capacidades comunicativas com o exterior, mas também porque perde a noção entre os dois “mundos”, passando a fazer parte do real tudo o que é sobrenatural.Mas acreditar em algo que vá para além da realidade, não só lhe garantirá uma sensação de motivação para outras atividades, pois esse super-herói imaginário ao tornar-se seu amigo pode encorajá-la a participar, integrar, colaborar e divertir-se, como também aumentará a sua capacidade mental, não se baseando apenas naquilo que vê e começando a distinguir os amigos de “carne e osso” daquele ídolo com quem ela conversa, brinca e integra na sua pequena sociedade.Contudo, não são apenas as crianças que vagueiam pelo imaginário e acreditam em factos sobrenaturais. Também a faixa etária mais graúda vivencia estes relacionamentos. Para se sentir protegido e realizado, o idoso tende a transpor as suas crenças e ideias na religião. A fé, para ele, não só consiste em acreditar e venerar algo superior a ele, um Deus, mas também em garantir que nada de mal lhe acontecerá, pois aquele protetor ajudá-lo-á sempre que surgir alguma adversidade. Para isso surgem as constantes idas à igreja, as confissões, as orações, para que, de alguma maneira, ele consiga comunicar com Deus e que Ele o possa ajudar ou encaminhar para possíveis resoluções. De certo modo, acreditar e depositar toda a sua fé em Deus, confere ao idoso uma extrema sensação de conforto e sobretudo esperança. E, como nas crianças, também tem o seu lado negativo, a necessidade extrema da religião pode conduzir a um isolamento por parte do idoso, não querendo ver nem acreditar em mais nada do que na sua fé, ou ser essa mesma fé tão forte, que o leva a atos de dedicação sobrecarregada e consequentemente ao desgaste pessoal. Para isso, é necessário controlar estas bases que, tanto miúdos como graúdos, possuem. Acreditar em algo sobrenatural ou imaginário faz bem, é saudável e revitalizante, mas nunca em demasia, a fé a razão e a imaginação têm de fazer um equilíbrio salutar para evitar o efeito oposto.
Inês Henriques
YOUCAT no nosso Jornal - Creio no ESPÍRITO SANTO (IV) -
30-07-2012 11:35DOM DA CIÊNCIA
Por: Maria Albertina Castanheira
Deus quer revelar-Se a nós, dar-Se a conhecer, mas quase sempre encontra o nosso coração muito atulhado, tão cheio de coisas humanas que Deus não cabe lá. Tão cheio de barulhos que a Sua Voz não se ouve, tão encandeado com as luzes do mundo que a Luz Divina não se vê.
O Dom da Ciência permite conhecer Deus através das criaturas, descobrir a acção e o Amor de Deus nas coisas que nos acontecem e nos cercam. Orienta o homem para Deus desapegando-o do que é passageiro e material. Diz o profeta Oseias (4,6): «Morre-se por falta de conhecimento de Deus».
A propósito, narro o que aconteceu com um grupo de jovens que iam para uma festa, levando já o carro lotado. Apesar disso ainda foram buscar outra colega a sua casa. A mãe desta desceu com a filha e enquanto ela se encaixava no banco de trás, disse preocupada: “Vão com Deus...”, ao que a rapariga respondeu: “Só se for na bagageira; aqui já não cabe”. Gargalhada geral! E o carro arrancou a toda a velocidade. Poucos quilómetros adiante despistaram-se e morreram todos os ocupantes. Foi a polícia que relatou a surpresa do que encontrou: no meio de tantos destroços e morte a bagageira estava intacta e dentro dela uma caixa com 18 ovos inteiros, dentro das concavidades próprias da embalagem!
A mãe da jovem compreendeu… Foi ela própria que, posteriormente, narrou os factos.
No fundo, a essência do pecado é esta falta de verdadeiro conhecimento de Deus.
O Dom da Ciência traz a cura ao coração. Permite-nos ver, com clareza, o que diz respeito à nossa conduta e à dos outros, o estado da nossa alma, o que devemos acreditar ou não, o que devemos ou não fazer. Faz-nos conhecer o comportamento a ter nos contactos e nas relações com o nosso próximo para sermos fiéis ao Evangelho, aos Mandamentos de Deus e da Igreja – à Vontade de Deus. É um dom muito necessário na vida de um cristão ou de uma paróquia.
Um meio óptimo para obter o Dom da Ciência, além de o desejar e suplicar na oração, é cuidarmos intensamente da purificação do coração para, conhecendo-nos, podermos corrigir desordens e tomar consciência das faltas leves ou graves, confessá-las e evitá-las. Este esforço atrai as bênçãos de Deus, que faz brilhar sobre nós a Sua Luz.
O Dom da Ciência fazendo reconhecer que toda a obra criada traz a marca da Beleza e Bondade do Criador, permite-nos reconhecer que a criação é o reflexo glorioso da Omnipotência de Deus.
Quando o Dom da Ciência é activo no coração do homem fá-lo perceber esse reflexo com maravilhosa clareza e intuição interior. Então a criação, as criaturas, a alegria de um encontro, o trabalho, o descanso, etc... suscitam como resposta o LOUVOR a DEUS. E este é, de facto, o fim para o qual foram criadas todas as coisas: «Brilhar de alegria e louvor, para Aquele que as criou».
Pureza de coração e Louvor nascem do Dom da Ciência.
Por: Maria Albertina Castanheira
(fonte: “Os Dons do Espírito Santo na Vida do Cristão” de Augusto Drago).
Congregação dos Missionários do Preciosíssimo Sangue
10-07-2012 15:50Em Proença-a-Nova desde 1968
“ … Oh Senhor! Quando começo a falar sobre o Divino Sangue, sinto no meu espírito uma comoção particular. Este é o testemunho mais terno do amor de Deus: “Cristo nos amou e nos lavou no seu sangue” (Extraído do Epistolário de São Gaspar del Búfalo).
A espiritualidade do Sangue de Cristo, mistério de Cristo que doa o seu Sangue pela salvação de todos os homens, ocupa um lugar especial na vida espiritual, comunitária e apostólica dos membros que constituem a Congregação dos Missionários do Preciosíssimo Sangue. O dia 1 de julho foi e é para toda a Igreja e, particularmente, para os Missionários do Preciosíssimo Sangue o dia em que celebramos esta festa solene.
Há décadas que a nossa Congregação – a Comunidade de Proença - participa na missão apostólica na diocese de Portalegre – Castelo Branco e, em particular, nesta paróquia de Proença. Já há algum tempo que somos párocos das paróquias de Peral, São Pedro e Proença-a-Nova e alguns meses da paróquia de Cardigos. No entanto, são poucos a conhecer a nossa identidade.
No dia 23 de fevereiro de 1969, colocamos a primeira pedra na construção da nossa atual casa, conhecida pelo Seminário dos Padres Missionários do Preciosíssimo Sangue, em Proença-a-Nova. Porém, a nossa Congregação que chegou a Portugal, mais concretamente a Vila Viçosa, em 1929 e a Proença-a-Nova a 1968 continua a ser, para muitos dos nossos paroquianos, desconhecida.
A nossa Congregação foi fundada em 1815 em Itália numa pequena aldeia da Umbria chamada Giano. O seu fundador é S. Gaspar Del Búfalo, nascido em Roma no dia 6 de Janeiro de 1786 e canonizado pelo Papa Pio XII em 1954. É tido como o maior Apóstolo da Espiritualidade do Sangue de Cristo, sinal mais eloquente do amor de Deus por cada pessoa e por toda a humanidade.
Em 2015, celebramos os 200 anos da fundação da Congregação. Nesta caminhada preparativa, desejamos a todos os nossos leitores, paroquianos, aos que trabalham direta ou indiretamente connosco que se juntem a nós no oportuno programa de (re)descoberta e renovação da nossa Congregação. A vida e o espírito de São Gaspar são um valioso exemplo apostólico para todos os cristãos. Aliás, a consciência que ele teve das difíceis condições de vida dos seus coetâneos e a sua generosa resposta às mesmas, quando verdadeiramente assimiladas, dão alma, ardor… à nossa vida.
P. Ilídio Graça
“ Aborto Grátis” aproveite a oportunidade*
10-07-2012 15:49No passado dia 5 de Julho, uma quinta-feira, às 15h00, foi discutida na Assembleia da República a Petição “Lemos, ouvimos e vemos, não podemos ignorar?”
Esta Petição deu origem ao Relatório de Avaliação da Lei do Aborto da autoria da deputada do PSD Conceição Ruão e sabe-se já que provavelmente no mesmo dia serão discutidos dois projectos de lei prevendo taxas moderadoras no aborto legal (sobre esta questão, do financiamento, veja-se o artigo que se segue de Isilda Pegado).
1. Em 2007 foi a referendo a despenalização do aborto a pedido da mulher, praticado nas dez primeiras semanas de gestação e desde que realizado em estabelecimento de saúde autorizado. Perante a escolha feita, foram aprovados duas leis (Lei 16/2007 de 17/04 e a Portaria 741-A/2007 de 21/06) que estabeleceram um conjunto de procedimentos a observar na realização de aborto.
2. Através destes dois diplomas estabeleceu-se um quadro legal em que o Estado se compromete a oferecer, através do SNS, o aborto universalmente gratuito. Esta opção política não resulta do referendo,
mas é apenas, e tão-só, a vontade que a anterior governação quis impor no País. Não tinha de ser assim, vemo-lo em muitos países onde o aborto também está despenalizado.
3. Na actual lei, ricas ou pobres têm direito a fazer aborto pago com o dinheiro cobrado aos contribuintes. O Estado chamou a si a responsabilidade e custos na prática do aborto, a que não estava obrigado por virtude do referendo. Uma coisa é despenalizar o aborto, outra é disponibilizar, pagar e subsidiar o aborto.
4. Porque financia o Estado a prática do aborto? Qual a razão de bem comum que leva o Estado a oferecer gratuitamente o aborto a uma mulher que tem rendimento mensal superior, por exemplo, a 3500,00? O SNS prevê que todos os actos médicos sejam universalmente financiados pelo Estado? Os tratamentos de estomatologia são acessíveis a todos dentro do SNS? Porquê? Uma criança que precisa de tratamentos dentários tem de recorrer a um médico a quem paga a consulta. A mãe que tem um filho com cárie dentária não tem ajuda monetária a esta necessidade, mas se fizer um aborto o Estado suporta o custo integral.
5. O Estado deixou de ter uma função protectora de vida e passou a ter uma função financiadora da eliminação de vidas humanas. Ao custear totalmente o aborto, o Estado quis comprometer-se com esta prática.
Mas esse Estado sem critérios de bem comum deu os frutos que todos vemos... Há uma terceira posição - não penaliza, mas também não financia (está mais conforme à resposta do referendo).
6. Hoje estamos a construir um Estado de rigor e humanista, uma nova sociedade. Por isso devemos perguntar - Quer o Estado financiar a eliminação de vidas humanas? Porque o financia? Qual o suporte do bem comum que se promove?
7. Muitos são os que defendem a aplicação de taxas moderadoras, mas compreendendo-se a motivação, ainda assim continua a ser o Estado a assegurar/custear o aborto, apenas se cobra uma “módica” taxa.
Quantas famílias não desejariam ter acesso a consultas e tratamentos de estomatologia para os seus filhos mediante pagamento de taxa moderadora!
8. O aborto, em casos devidamente justificados, poderia ter o seu custo suportado pelo SNS, mas apenas quando não houvesse capacidade económica da mulher para o custear.
9. Por que razão uma mulher que faz aborto tem direito a um subsídio correspondente a um mês de trabalho pago a 100% e a 30 dias de licença? Porque hão-de os nossos impostos pagar este subsídio?
10. Uma mulher que vem das ilhas fazer aborto em Lisboa tem direito a que o Estado pague avião, hotel, carro com motorista para si e para um acompanhante, mesmo que seja pessoa de posses económicas. Porque hão-de os nossos impostos pagar estas despesas?
11. Não é só uma questão de taxas moderadoras. O que está em jogo é o respeito pelo resultado do referendo; o respeito pelo dinheiro dos contribuintes e o respeito pelo papel do Estado e da lei. É a legitimidade do sistema que está em causa.
*Texto adaptado por Maria Susana Mexia
Pontos de Vista
10-07-2012 15:49Fragilidade eterna
“Muitas vezes, à beira de achar a receita da imortalidade, fui distraído pela presença pavorosa da morte.”
Héctor Abad Faciolince
Passamos pelos dias esquecendo a fragilidade da vida – e ainda bem, porque a presença excessiva da incerteza e do medo correria o risco de se tornar paralisante. Viver sempre de olhos postos no dia seguinte tem vantagens, mas convém de vez em quando pararmos para pensar que nada é tão garantido como o momento presente. Repetimo-lo cada vez que um acontecimento inesperado ou trágico nos faz tremer o chão, mas rapidamente esquecemos e prosseguimos como se fossemos imortais.
A literatura e o cinema estão cheios de reflexões sobre a importância de viver o momento presente, de o encher do melhor que temos para dar e de lutar pelo que realmente vale a pena. Carpe diem. Porque a vida é demasiado curta para ser desperdiçada e porque nunca sabemos o que o futuro nos reserva.
A questão é que este é mais um dos muitos temas em que dificilmente conseguimos adequar a prática à teoria. Se assim fosse cada um de nós…
…Sorriria mais e deitaria para trás das costas discussões e invejas sem real conteúdo. Olharia com mais intensidade para as pequenas coisas que nos rodeiam e tocam, beijaria com o olhar, pararia para escutar um amigo ou simplesmente para partilhar um silêncio.
…Acreditaria no poder dos sonhos e lutaria mais pela felicidade. Deitaria para trás das costas tudo o que pesa e prende e impede de levantar voo. Viajaria ainda que sem sair do sítio, voltando sempre ao sítio onde tem as raízes.
…Daria tanto como gostaria de receber. Esbanjaria bom humor, sorveria cada instante com prazer, encheria o baú de recordações de momentos imperfeitos mas eternos.
…Veria nos outros companheiros de viagem, nunca intrusos. Sabendo que só olhos com um pouco de céu lá dentro conseguem ver o melhor dos outros.
…Acima de tudo viveria sem pensar no que há para além da morte e sem querer ganhar o céu. Porque a eternidade é aqui e constrói-se agora. M. I. C.