Caminho de Santiago

05-04-2011 19:17

Alguns alunos do 12 º ano, Escola Pedro da Fonseca, que frequentam as aulas de ERMC (Moral Católica) decidiram “peregrinar” a Santiago de Compostela. Ao terminarem o seu percurso escolar no ensino secundário – 10.º, 11.º e 12.º ano – quiseram efectuar uma viagem que de alguma forma simbolizasse o percurso/peregrinação que acabaram de efectuar durante os últimos três anos.

Escolheram ir a Santiago de Compostela acompanhados dos professores de ERMC e convidaram o seu professor de História para os acompanhar. Com muito gosto me integrei no grupo e com ele palmilhei, em autocarro do Pinhal Verde, os quilómetros que unem Proença-a-Nova à capital da Galiza.

Sete horas depois de Proença, à noitinha, foi o encontro com Santiago de Compostela, cidade com cerca de 90.000 habitantes. A conhecida metrópole religiosa, artística e intelectual transformou-se num dos grandes centros espirituais, culturais e históricos da Europa e do mundo cristão, a par de Roma e de Jerusalém. Historicamente, rivalizou com Braga na disputa pelo controlo religioso do norte de Portugal e a autonomia política de Portugal esteve também ligada à luta de Braga para se constituir em arcebispado separado de Santiago. Não é agora muito relevante saber da certeza, ou da dúvida, da presença dos restos mortais do Apóstolo São Tiago no túmulo do interior da basílica. O que é importante é que, desde há séculos, lá acorre a cristandade e alguma verdade encerra a frase de Goethe: “ A Europa fez-se pelo Caminho de Santiago”.

E foi o local do fim do Caminho Francês de Santiago – o Monte do Gozo – que recebeu os “peregrinos” de Proença. Era, e ainda é, precisamente nesse sítio – Monte do Gozo – onde hoje está um complexo turístico de 600.000 m2, que os peregrinos, extenuados depois das canseiras da viagem, tinham o prazer de vislumbrar, ali em baixo, apenas a 4 Kms, as torres da catedral. Daí o nome: Monte do Gozo.

Saindo do Monte do Gozo, o segundo dia foi gasto na visita pedestre pela cidade, quase sempre acompanhados pelas “lentas y persistentes lluvas” de que falava Otero PEDRAYO no seu Guia de Galícia, 1945 (pág. 421). Chuvas que vieram acrescentar brilho à visita e que o nosso guia António Montenegro, mestre na arte de nos carregar à história de cada uma das ruas e dos monumentos, nos animava a suportar declarando com toda a segurança: “Aqui em Santiago, até a chuva é arte! Aproveitemos.”

E fintando os fios “molha parvos” que teimavam em cair, lá fomos viajando da forma que vos apresento, a partir de agora, em imagens que falam mais que as palavras. Dizem alguns… Não sem que antes não dê nota de uma curiosidade.

Tivemos a sorte de ver em actuação o famoso turíbulo de mais de 60kgs – o maior do mundo – que, suspenso do tecto da catedral, durante séculos, ajudou a purificar o ambiente conspurcado pelos corpos suados e sujos dos peregrinos. Hoje, apenas em situações especiais e raras entra em acção, ou quando alguém, em promessa, oferece um montante igual ou superior a 300 €. Era o caso naquele sábado, dia 12 de Março de 2011. 

Aconselhamos uma visita a quem nunca “peregrinou” a Santiago, de preferência superior a um dia. (E contratem o nosso guia António, que fez ponto de honra de nos levar apenas a sítios de entrada gratuita, sem quaisquer visitas comerciais. Um profissional mestre e uma simpatia de ser humano.)

António Manuel M. Silva in https://terrasdopolome.webnode.pt