Do Carrascal para a Amazónia
O Padre Amílcar Tavares é natural do Carrascal, Cardigos, tem 49 anos, filho de Carlos Tavares e de Maria de Lurdes Alves, o mais velho de uma prole de 9.
Pertence à Congregação dos Monfortinos e trabalha no Brasil, na Amazónia. Ordenado em 1995, partiu para o Brasil. Primeiro esteve em Minas Gerais depois na Amazónia, na cidade de Itupiranga, no estado do Paraná.
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A sua vocação surgiu quase por acaso . Quando era mais novo teve contato com sacerdotes que vinham em propaganda vocacional e foi fazendo o seu percurso de vida. Os valores de referência que foi tendo ao longo da sua vida foram fundamentais, destacando a família, onde recebeu os valores do trabalho do sacrifício e do serviço.
O trabalho missionário do P. Amílcar desenvolve-se numa comunidade de cerca de 20 mil pessoas, numa área 11.600 km2. O trabalho de Evangelização desenvolve-se no sentido de uma presença ativa no acompanhamento das comunidades Indígenas. Como diz o P. Amílcar: "O Padre deve ser o mestre da escuta". Falamos de um povo com uma cultura diferente, que tem pela Igreja Católica um carinho muito grande, pois reconhece a defesa que a Igreja tem feito em prol dos Índios.
Evangelizar na Amazónia foi sempre uma tarefa muito difícil devido às distâncias geográficas, às condições de clima, à pobreza de recursos e vias de acesso precárias; as dificuldades têm sido enfrentadas mas, à custa de muito sacrifício, a evangelização acontece.
Conversamos com o P. Amílcar sobre a dimensão missionária .
Jornal "O Concelho de Proença-a-Nova" – Na sua opinião, as pessoas estão predispostas à causa missionária?
P. Amílcar – Sim. Mas como serviço temporário, algum medo de compromissos definitivos. Hoje nota-se que as pessoas tem medo de compromissos definitivos. O povo português ainda ama a causa missionária, mas como temporária, não como um compromisso definitivo para toda a vida.
C.P.N. – Como podemos definir a vida missionária?
P. Amílcar – Servir os mais pobres com alegria. A dimensão missionária implica testemunhar a Boa Nova, sempre com muita alegria, um serviço para quem nada é impossível.
CPN – Qual o maior desafio para desenvolver a natureza missionária da Igreja junto dos leigos, religiosos e sacerdotes?
P.A – A Dimensão Missionária só se desenvolve pelo brilho nos olhos. Se acreditamos, gostamos do que fazemos e se nos sentimos felizes e alegres em servir, é o melhor método para que as pessoas valorizem essa dimensão missionária.
CPN – Sobre a dimensão missionária, o senhor acredita que estamos no caminho certo, no sentido de atender ao pedido de Cristo de levar por diante o anúncio da Palavra?
P.A. – Podemos fazer muito melhor. A linguagem é muito formatada, muito nossa. Por vezes muito moralista. O nosso povo padece disso e por culpa também de nós padres. Precisamos de uma linguagem mais humana, levar às pessoas a proposta de felicidade que Deus nos traz. Nós somos seres que buscam a harmonia, a felicidade, a realização. A nossa linguagem é por vezes muito doutrinal, muito seca e não comove os corações. Temos que fazer um esforço para aproximar a nossa linguagem à das novas gerações, dos novos tempos, para que as pessoas possam ver o que nos distingue.
CPN – O Papa Bento XVI instituiu um Conselho Pontifício para a promoção da nova evangelização e promoveu a realização de um Sínodo sobre a Nova Evangelização (Outubro de 2012): "A nova Evangelização para a transmissão da fé cristã". Que podemos nós fazer, a nível local, para evangelizarmos aqueles que estão perto de nós, mas estão afastados da Igreja?
P.A. – Passa muito pelo "corpo a corpo", ir ao encontro, a proximidade, ir não para ensinar, mas para escutar, acolher o mistério do outro, Deus já está nele antes de chegarmos.
Eu não posso ir ao encontro carregado de verdade. Escutar, sem julgá-lo e no devido tempo inquietá-lo. Precisamos ter uma Igreja mais servidora. Eu devo acolher o outro na sua individualidade.
Nós não temos a missão de levar a verdade, mas de testemunhar, de acolher o outro como ele é, por ele mesmo, mesmo que ele pense diferente de mim.
Como padre sinto-me feliz quando posso acolher o outro, escutá-lo e ver o que Deus faz na vida do outro.
CPN – Se tivesse que pedir algo ao Senhor, o que desejaria que Ele lhe concedesse?
P.A. – Gostava e peço ao Senhor que me concedesse sempre a graça de saber servir com alegria. Só isso é que torna credível a nossa missão. A alegria de fazer, de amar o que faço.
C.P.N. – Para terminar, que mensagem de entusiasmo diria aos jovens de hoje?
P.A. – Saibam aproveitar o tempo de estudo para se conhecerem, para descobrir o seu potencial, mas também para procurarem descobrir qual o caminho que Deus tem para eles, sabendo que o caminho de Deus é o único caminho que temos para ser felizes.
Gostava que os jovens estudassem para as notas, mas fizessem do estudo um caminho de descoberta da riqueza que vem de Deus. E também pudessem questionar-se: o que é que Deus quer que eu faça?
Missionários Monfortinos
Leigos e religiosos, dos Missionários Monfortinos, das Irmãs Filhas da Sabedoria e dos Irmãos de São Gabriel, a serviço da missão nos cinco Continentes.
A comunidade dos Missionários Monfortinos nasceu, em 1716, de um desejo de São Luís de Montfort; ele quis uma "pobre e pequena companhia" de missionários que evangelizassem o campo e a cidade. Tudo começou numa pequena região ao oeste da França e hoje os missionários que ele sonhou, irmãos e padres, estão presentes em mais de 25 países.
O carisma e a espiritualidade monfortina, no entanto, ultrapassam as fronteiras dos países onde estão, há um número incalculável de leigos e leigas que assumiram com entusiasmo os compromissos do batismo através da "Consagração total a Jesus por Maria", fazendo com que a família Monfortina seja mais numerosa ainda.