Miúdos e telemóveis... e…

12-06-2012 18:10

Gostava de entender o fascínio que um bebé, uma criança pequena tem, por um “simples” telemóvel, ou ainda, por um “simples” comando de televisão. Há brinquedos super coloridos, amarelos, verdes, azulão, laranja, com cheiros, com música, tudo pensado para os pequenos petizes e... nada parece ter o fascínio de um comando, um telemóvel, um teclado! Serão os botões? Será o facto de não querermos que eles toquem neles, invocando a velha máxima do “fruto proibido ser o mais apetecido”?

Quando estudamos desenvolvimento infantil, em Psicologia, de facto não estudamos este fascínio, mas é um facto consumado que ele existe. Existe e, sinceramente, não me agrada. Com tanta coisa tão gira, tão didática para explorar, porque é que um objeto sem graça, cinzento, ganha pontos com tanta facilidade e sorrisos absolutamente irresistíveis? Estou cansada de observar, de dar voltas à cabeça, de utilizar estratégias e maroscas, e nada me esclarece… Assusta-me a tecnologia. Confesso, assusta-me que este fascínio nasça “com o nascimento” e cresça com “o crescimento”.

Já penso na quantidade infindável de sms que os meus filhos vão enviar na adolescência, no tempo em frente à t.v. que querem e vão querer passar… Assusta-me que meçam amizades conforme o número de sms enviadas, e que, quando estão juntos, não saibam conversar. Assusta-me que não se perceba o silêncio. Que não se saiba “estar” ao pé de, sem pretensões e sem barulhos. Já pensei em esconder todos os comandos e telemóveis lá de casa, mas isto em mero devaneio imaginário, pois a ideia não seria exequível. Depois, há sempre a questão de não querermos os filhos numa “redoma”, de querermos que se apercebam do mundo tal como ele é e que saibam ser equilibrados. Tudo com bom senso, claro. Mas onde está ele? Por onde andará o bom senso nestes tempos que são os nossos, cheios de tvs, consolas, telemóveis, comandos e afins? Às vezes apetece-me GRITAR, mas só o faço por dentro... É que o bom senso ainda tem o seu lugar no meu cérebro, e não me deixa fazer transparecer aquilo que não é construtivo...

Será a única terapia a da substituição assertiva? Por tempo de mais “qualidade”, talvez: refeições, brincadeiras, serões, passeios e conversas com os pais e a família alargada, com amigos bem escolhidos… Enfim, isso e o que formos descobrindo e partilhando, nós os pais e educadores atentos… Mas temos que descobrir alguma coisa bem melhor que estas teledependências e virtualidades, não acham? Mãos à obra?

 

Alexandra Chumbo, mãe e psicóloga