O Nosso “Senhor Vigário
Tal como noticiamos no jornal anterior, aconteceu no passado dia 13 de Junho a homenagem a alguns proencenses cuja vida marcou a nossa terra.Um deles foi “O Nosso Senhor Vigário” como lhe chamou o Rev. P. Armando Alves que fez, sobretudo baseado na suas recordações de convívio com ele, um pouco da história do nosso saudoso P. Alfredo Dias. Devido à extensão do artigo publica-lo-emos por partes.
1- Introdução
Era um miúdo de seis anos de idade quando, a 30 de Dezembro de 1956, o Reverendo P. Alfredo Dias chegou como pároco a esta terra que o vira nascer, de família humilde, mesmo na entrada Noroeste da vila, no lugar do Castanheiro Grande. Aqui se manteve como pároco até princípios de 2007 em que o peso da idade e a doença o impediram de continuar naquela missão. Mais de meio século, período longo, em que foi admirado por muitos, menos amado por outros e até menosprezado por alguns. Ao contrário de Júlio César que, segundo o cronista, “chegou, viu e venceu” não foi fácil para ele abraçar esta nova missão. Chegou em substituição do Reverendo P. Beato Pereira, jovem sacerdote ainda que, por aquilo que o meu pai me contou, distinguindo-se pela sua simpatia e capacidade de acolhimento, era amado pela maioria. Muitos paroquianos estranharam a mudança até porque o padre que agora chegava, jovem ainda mas já amadurecido por 13 anos de sacerdócio – fora ordenado em Maio de 1943- vividos como prefeito e professor no Seminário de Alcains e depois como pároco de Monforte da Beira e Malpica do Tejo, não era de trato tão fácil. Era reservado, bastante mais fechado e muitas vezes ouvi as pessoas a queixarem-se de que, quando ia na rua de olhos no chão, parecia não ver nem conhecer ninguém. A sua exigência e preocupação em cumprir com aquilo que eram as orientações dos bispos, trouxeram-lhe muitos desgostos e preocupações e até alguma vez, em relação com a proibição de fazer bailes nas festas dos patronos das capelanias, fizeram aparecer à sua porta, de manhã, o significativo alguidar com a faca dentro. Pouco a pouco, no entanto, foi conquistando a admiração de muitos, graças à intensa dedicação ao trabalho, à simplicidade de vida, ao desprendimento e à preocupação pelos outros.
Comecei a admirá-lo em criança e privei com ele de perto, nesta terra, partilhando trabalhos, preocupações e alegrias, como sacerdote, durante mais de 30 anos. Bastar-me-ia um clique sobre a pasta de memória para vos poder falar horas sobre ele. Por uma questão de tempo e de organização, permito-me alguns apontamentos sobre os aspectos que me parecem mais relevantes.
Continua
