Oitenta não é demais…
A lei da vida, essa linha que percorremos durante dias, meses, anos “afirma” que aos oito somos crianças, estamos na idade da brincadeira, ainda temos o mundo para descobrir e muito por que passar e aos oitenta já não temos muita utilidade, estamos velhos, acabados, apesar da vasta experiência de vida a idade é o peso mais pesado. Será esta a verdadeira maneira de olhar para os extremos? As crianças podem, de facto, ensinar-nos muitas coisas ao verem tudo tão ingenuamente, não havendo maldade em nada e realçando sempre o lado bom de tudo o que as rodeia. Mas e os idosos, poderão estes seres cansados e acabados ensinar algo de útil à sociedade? Certamente perguntas com respostas óbvias nem precisavam de ter mesmo uma resposta. Claro, de certeza, sem dúvida alguma que os idosos são a mais-valia da sociedade. Foram eles que construíram aquilo que hoje tomamos por garantido, foram eles que batalharam e sofreram por coisas que hoje até podemos nem dar muito significado, eles são a nossa história. E, sociedade do século XXI, aconselho-vos vivamente a passar umas horinhas, apenas uma mísera parte da vossa longa vida, com alguém que já passou dos oitenta. Aprendemos coisas, vivenciamos histórias de vida, ajudamos e somos ajudados, sentimo-nos ínfimos e, ao mesmo tempo, um desejo enorme de, no futuro, nos tornarmos tal e qual estes seres, pessoas que podem realmente dizer: “Eu passei pelos oito, pelos oitenta, vivo com todas as minhas forças, sou feliz, alegre e hei-de deixar uma bonita história para vocês, jovens, poderem mais tarde recordar.”… Acreditem, fazer voluntariado num lar de terceira idade é uma autêntica montanha russa de emoções.
Inês Henriques